Diálogo entre Povos, Culturas e Religiões — Património, um caminho para a paz e o desenvolvimento?
Casa cheia no Fórum Cultural das Neves para refletir sobre o diálogo, o património e a paz
O Fórum Cultural das Neves recebeu, no passado dia 25 de abril, o colóquio “Diálogo
entre Povos, Culturas e Religiões – Património, caminho para a paz e o
desenvolvimento”, numa iniciativa organizada pelo Núcleo Promotor do Auto da
Floripes 5 de Agosto, em parceria com as autarquias de Vila de Punhe, Mujães e
Barroselas.
A sessão abriu com as intervenções institucionais de Tiago Barbosa, pelo Núcleo
Promotor do Auto da Floripes, de Bruno Guimarães, como Presidente da Junta de
Freguesia de Vila de Punhe e de Manuel Vitorino, Vice-Presidente da Câmara
Municipal de Viana do Castelo, que destacaram o significado da data — o Dia da
Liberdade — e a importância da cultura e do património como espaços de encontro,
respeito e convivência entre povos.

O colóquio contou com a participação do Sheik David Munir, imã da Mesquita Central
de Lisboa, e do Professor Álvaro Campelo, antropólogo, tendo a moderação estado a
cargo de Pedro Amaro Santos, mediador intercultural e fundador da associação
MEERU – Abrir Caminho. Um painel diverso e de qualidade que surpreendeu e
amarrou o público até ao último instante. Houve ainda momentos particularmente
emocionantes, com a poesia declamada por Carlos Quintas Neves e a interpretação
de “Somos Livres” por Lara Escoval, a nossa Floripes, envergando o seu traje. Dois
momentos de grande intensidade e beleza que marcaram todos os presentes.
A forte adesão do público, que encheu completamente o auditório, surpreendeu
positivamente a organização e confirmou o interesse da comunidade por momentos de
reflexão sobre temas atuais e essenciais.

Ao longo da manhã refletiu-se sobre o papel do diálogo inter-religioso e intercultural
num mundo cada vez mais diverso. O património surgiu como elemento central desta
reflexão: mais do que memória do passado, revelou-se uma verdadeira linguagem
comum capaz de aproximar culturas e promover entendimento.
O Auto da Floripes, tradição maior da nossa comunidade, foi apresentado como
exemplo vivo dessa transformação simbólica. Nascido do confronto entre o bem e o
mal, assume hoje um novo significado — o de ponte entre culturas, espaço de
encontro e mediador de diálogo entre diferentes tradições e visões do mundo.
Num ambiente de partilha, escuta e participação ativa, o colóquio afirmou o património
cultural como caminho possível para a paz, para o desenvolvimento e para o
fortalecimento das comunidades.
A comunidade do Vale do Neiva demonstrou, uma vez mais, que a cultura continua a
ser um lugar de encontro, reflexão e esperança.
