Sessão solene dos 53 anos da Escola Superior de Saúde ficou marcada pela reflexão sobre o futuro da formação em saúde e da educação
“Formar profissionais de saúde não é apenas transmitir conhecimento teórico” | Escola Superior de Saúde do Politécnico de Viana do Castelo assinala 53 anos
A Escola Superior de Saúde do Politécnico de Viana do Castelo (ESS-IPVC) assinalou esta terça-feira o seu 53.º aniversário com uma sessão marcada pela reflexão sobre os desafios da educação, da formação em saúde e do futuro do ensino superior.
Ao longo da cerimónia, o diretor da ESS-IPVC, Luís Graça, destacou a aposta crescente na inovação pedagógica e na investigação, o presidente do Politécnico de Viana do Castelo, Carlos Rodrigues, abordou os desafios da transformação do ensino superior e da futura universidade politécnica, o vice-presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Manuel Vitorino, defendeu uma formação em saúde mais humana e centrada no pensamento crítico, enquanto António M. Feijó, presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, sublinhou a importância de preservar a reflexão e o questionamento no ensino superior.

Depois de um momento musical protagonizado por Francisco Gomes e Inês Silva, estudantes do 1.º ano do curso de licenciatura em Enfermagem, o diretor da Escola Superior de Saúde do Politécnico de Viana do Castelo (ESS-IPVC), Luís Graça, fez uma retrospetiva do percurso da Escola ao longo de mais de meio século, estruturando a sua reflexão em torno de cinco eixos principais: percurso institucional, formação e inovação pedagógica, investigação, extensão e translação de conhecimento, recursos humanos e estudantes. “Em cinco décadas, fizemos um percurso consistente na formação, na investigação e na translação do conhecimento. Esta é uma Escola que continua a estar na linha da frente”, afirmou.
Luís Graça aproveitou o auditório cheio para destacar também o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido ao nível da inovação pedagógica, nomeadamente através da simulação clínica, da utilização de doentes virtuais, da aprendizagem baseada em projetos e casos clínicos e da iniciação à investigação, defendendo uma formação cada vez mais próxima dos contextos reais de prática profissional.
O diretor da mais antiga Escola do universo IPVC sublinhou ainda a necessidade de continuar a investir em infraestruturas e recursos humanos, considerando urgente a conversão de um dos laboratórios em espaço de simulação avançada. “O nosso foco são os estudantes e é para eles que reivindicamos mais e melhores condições”, reforçou.

Ao longo da intervenção, destacou também a aposta nas formações microcredenciadas, nos cursos de mestrado em funcionamento alternado e no crescimento da investigação desenvolvida na Escola Superior de Saúde.
Luís Graça recordou igualmente que se encontram abertas candidaturas para duas bolsas de doutoramento na área da Enfermagem, financiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, considerando tratar-se de mais um sinal do crescimento científico da instituição.
Os desafios do ensino superior e da formação em saúde
Também o presidente do Politécnico de Viana do Castelo, Carlos Rodrigues, abordou os desafios que se colocam atualmente ao ensino superior, desde as questões demográficas até às alterações ao Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior.
Carlos Rodrigues recordou que o Politécnico de Viana do Castelo reúne condições para avançar para o modelo de universidade politécnica, sublinhando, contudo, que essa evolução deverá manter “a dimensão e identidade politécnica” da instituição.
O presidente do IPVC admitiu ainda que as alterações em curso poderão trazer mudanças ao nível organizacional e estatutário das instituições. “Haverá uma série de desafios que se colocam, como a revisão dos estatutos, e outros que se avizinham. A revisão ainda terá de ir ao presidente da República”. Carlos Rodrigues destacou também a consistência da Escola Superior de Saúde ao longo das últimas décadas, sublinhando a sua capacidade de adaptação e crescimento num setor particularmente exigente e em permanente transformação.

“Formar profissionais de saúde exige mais do que transmitir conhecimento. Não é apenas somar métricas ou créditos”
Na sessão, o vice-presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Manuel Vitorino, destacou o “compromisso inabalável com a comunidade” e o “contributo indiscutível para a saúde pública da região” por parte da ESS-IPVC. “Viana do Castelo orgulha-se profundamente deste nosso recurso”, afirmou.
O autarca aproveitou a ocasião para refletir sobre os desafios atuais da educação e da formação em saúde, alertando para o risco de uma visão excessivamente centrada em métricas e competências técnicas. “Formar profissionais de saúde não pode ser apenas somar métricas, créditos ou dominar técnicas de forma mecânica”, defendeu, sublinhando a importância da responsabilidade ética, da capacidade crítica e da dimensão humana do cuidar.
Manuel Vitorino alertou ainda para a necessidade de combater a dispersão e superficialidade associadas à era digital, defendendo que os profissionais de saúde devem ser preparados para “estar verdadeiramente com o outro. Cuidar de alguém exige desacelerar o tempo”, afirmou.
O vice-presidente da autarquia deixou ainda uma mensagem dirigida aos estudantes, considerando que são “a força do futuro desta Escola” e destacando a sua determinação, capacidade de superação e vontade de fazer a diferença.
Também a presidente da Associação de Estudantes da ESS-IPVC, Valentina Bravo, destacou o papel da Escola Superior de Saúde enquanto espaço de crescimento académico, humano e pessoal, sublinhando a importância da proximidade entre estudantes, docentes e restante comunidade académica. A dirigente estudantil valorizou ainda o ambiente vivido na ESS-IPVC e o sentimento de pertença construído ao longo do percurso académico, considerando que a Escola continua a afirmar-se como um espaço de formação exigente, mas também profundamente humano e próximo dos estudantes.
Educação, pensamento crítico e liberdade
O momento central da tarde foi a conferência de António M. Feijó, presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, subordinada ao tema “Algumas ideias, nem sempre concordantes, sobre educação”.
Ao longo da intervenção, António M. Feijó refletiu sobre o papel das instituições de ensino superior numa sociedade em transformação, defendendo a importância do pensamento crítico, da reflexão e do questionamento.
Alertando para a necessidade de preservar espaços de liberdade intelectual e de garantir que o ensino superior continua a formar cidadãos capazes de pensar criticamente e de compreender a complexidade do mundo contemporâneo, defendeu que da formação superior “os estudantes levam as condições adequadas para o passo seguinte”. Rematou recordando que é fundamental preservar o pensamento crítico e deixar espaço para a reflexão e o questionamento.
A sessão terminou com a habitual entrega de prémios de reconhecimento à comunidade académica, seguida de uma atuação da TUNESS e do corte e partilha do bolo de aniversário.