Cerimónia dos 40 anos distinguiu cerca de 150 estudantes, docentes, não docentes e parceiros institucionais
“Vamos ser uma universidade politécnica de pleno direito” | Politécnico de Viana do Castelo assinala 40 anos entre memória, afirmação e futuro
O Politécnico de Viana do Castelo celebrou esta sexta-feira o seu 40.º aniversário com uma cerimónia marcada pela homenagem à comunidade académica, pela evocação do percurso da instituição e por uma forte afirmação de futuro. Entre cerca de 150 distinções atribuídas a estudantes, docentes, não docentes e parceiros, a sessão ficou marcada pela defesa do ensino politécnico, pela valorização do impacto transformador do IPVC no território e pela convicção expressa pelo presidente da instituição: “Vamos ser uma universidade politécnica de pleno direito.”
Entre homenagens, testemunhos e momentos simbólicos, a cerimónia dos 40 anos do Politécnico de Viana do Castelo ficou marcada por uma reflexão sobre o percurso da instituição e sobre os desafios que se colocam ao futuro do ensino superior em Portugal. A sessão solene decorreu esta sexta-feira no Auditório Professor Lima de Carvalho e reuniu representantes da comunidade académica, entidades parceiras, antigos dirigentes, antigos estudantes e membros do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), que estiveram reunidos durante a manhã no Politécnico de Viana do Castelo.
Ao longo da tarde, cruzaram-se memórias da génese do IPVC, criado em 1980, através do Decreto-Lei n.º 303/80, de 16 de agosto, com a visão de futuro de uma instituição que passou de um modelo assente apenas em bacharelatos para uma academia com seis Escolas Superiores, oferta formativa diversificada, forte presença internacional, investigação aplicada e doutoramentos, afirmando-se hoje como uma referência do ensino superior politécnico.

Quatro décadas de transformação
Na intervenção de abertura, o presidente do Conselho Geral do Politécnico de Viana do Castelo, Tiago Brandão Rodrigues, destacou o papel do ensino politécnico enquanto instrumento de democratização do ensino superior e de transformação social.
“O ensino superior politécnico foi uma das expressões mais concretas da democratização portuguesa”, afirmou, considerando que instituições como o IPVC “abriram portas onde antes havia muros” e permitiram que milhares de estudantes fossem os primeiros das suas famílias a chegar ao ensino superior.
Tiago Brandão Rodrigues, que não esteve presente na cerimónia, mas fez questão de gravar uma mensagem, sublinhou ainda o papel do Politécnico de Viana do Castelo enquanto instituição de proximidade, ligada ao território e capaz de combinar formação, investigação aplicada e internacionalização, alertando, contudo, para os desafios futuros relacionados com a identidade e missão do ensino politécnico no contexto das alterações em discussão para o sistema de ensino superior.
“O que importa é garantir que as instituições possam crescer sem se descaracterizarem, ganhando ainda mais robustez científica e projeção internacional sem perder aquilo que lhes deu sentido e relevância pública”, defendeu.

“Vamos ser uma universidade politécnica de pleno direito”
O momento mais marcante da cerimónia surgiu na intervenção do presidente do Politécnico de Viana do Castelo, Carlos Rodrigues, que assumiu de forma clara a ambição institucional para os próximos anos. “Vamos ser uma universidade politécnica de pleno direito, porque apresentamos condições para isso, porque cumprimos os requisitos, porque temos qualidade e capacidade para dar resposta a esse desafio”, afirmou.
Carlos Rodrigues destacou que esta evolução “não foi uma coisa dada”, mas antes “o reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de décadas”, assente num modelo de ensino superior aplicado, com forte aposta na investigação aplicada, na transferência de conhecimento e na proximidade ao território.
O presidente do Politécnico de Viana do Castelo apontou ainda os desafios relacionados com o “inverno demográfico”, as alterações ao sistema de ensino superior e a necessidade de adaptação institucional, defendendo que o Politécnico de Viana do Castelo tem sabido responder através da diversificação da oferta formativa, da inovação pedagógica e da internacionalização.
Neste contexto, destacou a importância da aliança europeia SUNRISE, que junta nove instituições de ensino superior de oito países e que está já a trabalhar no desenvolvimento de graus conjuntos internacionais.
Carlos Rodrigues sublinhou igualmente o trabalho realizado pelo IPVC na área da inovação pedagógica e flexibilização curricular, através da implementação de novas metodologias, tecnologias e processos de capacitação pedagógica.

Um impacto que ultrapassa o ensino
Também o vice-presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Manuel Vitorino, destacou o impacto transformador do Politécnico de Viana do Castelo ao longo das últimas quatro décadas. “Celebramos o 40 ao quadrado: o tempo que já passou e aquilo que projetamos para o futuro”, afirmou, considerando que o IPVC se consolidou como “âncora de desenvolvimento regional” e “marco de orgulho coletivo”.
O autarca valorizou o contributo da instituição na formação de milhares de estudantes, muitos dos quais são hoje profissionais de referência a nível local, nacional e internacional, mas também a sua ação na transferência de conhecimento para empresas, na promoção do empreendedorismo e na coesão territorial.
Manuel Vitorino reforçou ainda a importância da parceria estratégica entre o município e o Politécnico de Viana do Castelo, assegurando a vontade de continuar um caminho conjunto de desenvolvimento do território.

“Um IPVC forte faz-se com estudantes ativos”
Em representação dos estudantes, o presidente da Federação Académica do IPVC, Tiago Melão, destacou o papel da instituição enquanto espaço de oportunidades, proximidade e transformação pessoal. “O IPVC distingue-se pela excelência da sua oferta formativa, pela forte ligação ao tecido empresarial e pela crescente projeção internacional”, afirmou.
Tiago Melão valorizou o investimento realizado em áreas como o alojamento estudantil, destacando a futura residência da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, mas também a aposta na internacionalização através da aliança europeia SUNRISE.
“O que estamos a construir no SUNRISE é a garantia de que um estudante de Viana, de Melgaço ou de Ponte de Lima terá as mesmas oportunidades que qualquer outro estudante europeu”, sublinhou.
O dirigente estudantil deixou ainda uma mensagem forte sobre o papel do associativismo académico: “Um IPVC forte só se faz com estudantes ativos, envolvidos e apaixonados pela sua instituição.”
Uma comunidade homenageada
A cerimónia dos 40 anos ficou igualmente marcada pela homenagem a cerca de 150 estudantes, docentes, não docentes e parceiros institucionais, distinguindo percursos de mérito académico, excelência científica e artística, inovação pedagógica, antiguidade e ligação histórica à instituição.
Foram também reconhecidas várias empresas e entidades parceiras que se associaram ao IPVC na atribuição de prémios e bolsas, entre as quais Axis Viana Business & Spa, DomusVi Villa Carolina, Editora Leya, Pingo Doce, Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Noroeste, Ordem dos Engenheiros Técnicos, BorgWarner, Cadem, SANITOP e Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias.
A sessão contou ainda com momentos culturais protagonizados pela Hinoportuna, pela TUNICE, pelo Coro Académico do IPVC e pela Escola Profissional Artística do Alto Minho – ARTEAM.
Quatro décadas depois da sua criação, o Politécnico de Viana do Castelo assinalou o aniversário afirmando-se como uma instituição profundamente ligada ao território, mas cada vez mais projetada no contexto nacional e internacional, assumindo o futuro como tempo de crescimento, transformação e afirmação académica.
